terça-feira, 17 de novembro de 2009

Caracas

Era uma noite no fim de agosto. Saio com três amigos da orquestra, a gente resolveu de comer pizza ali perto do teatro. Conversa boa, pá, hora de embora. No caminho pro ponto de ônibus, encontro um colega da Escola de Música que há tempo não o via. Após a despedida, avisto meus amigos meio que longe. Resolvo apressar o passo para alcançá-los. De repente, aparece um buraco no meio da calçada, no qual eu piso em falso e giro em 90º para dentro meu tornozelo esquerdo. Vixe. Dois meses até abandonar a imobilização e as muletas. Mas não foi isso que me impediu de viajar pra Caracas , em meados de Setembro/2009, junto com o Neojibá e de ter bons (e muito bons) momentos por lá.



Chego no aeroporto junto com a contrabaixista da J2J muito cedo, cerca de uma hora antes da galera começar a reunir. A fome bate. O Subway estava ali disponível. Mal esperava que iria ter uma overdose desses sanduíches na terra de Chavez. O voo seguiu tranquilo, o pessoal foi muito atencioso comigo na hora de ajudar com a mala e a tuba. Aterrissando, o povo lá já não demonstra ser muito simpático. Enfim. Seguimos viagem do aeroporto até Caracas, cerca de uma hora subindo e atravessando as montanhas. O hotel é espetacular; a gente não volta a ficar num daqueles tão cedo. O hotel parece ser compostos de vários hotéis dentro de um, é muito confuso se movimentar por ali. Pra meu apartamento, eu fazia esse percurso: recepção, andava uns 50 metros até um elevador, mais 50 metros, descia uma escada, mais 50 metros, pegava outro elevador, mais uns metros e estava no quarto. Pire aí, eu de muletas.


 Eu diante do fantástico órgão, localizado na Sede do FESNOJIV

O primeiro dia lá até que foi tranquilo, as atividades só começariam de fato quando os outros membros da orquestra chegassem de um voo posterior. Todos os dias, após nosso café hipercalórico e o trânsito louco de Caracas, seguíamos basicamente a três pontos: o Núcleo de Montalbán (cidade ao lado da Capital), a Sede do Fesnojiv e o Teatro Teresa Carreño, onde assistíamos os concertos à noite. Os concertos foram interessantes, o do Ensemble de Metales da Venezuela foi fantástico. Alguns nem tanto, eu e boa parte da orquestra cochilamos algumas vezes. Tudo era maravilhoso: assistir aos ensaios, ver o sistema, estar perto das crianças do Montalbán. Pra mim, instrumentalmente falando, não foi muito proveitoso. Só tive "aula" com um dos tubistas do FESNOJIV, um cara muito gente fina por sinal. Basicamente, fiz uma entrevista com ele. Era um rapaz uns 2 anos mais novo que eu, tocava muito bem. Ficou surpreso e meio que me invejou (segundo palavras dele) por ser estudante de Composição, gostou muito de algumas peças pra metais que eu mostrei pra ele. Falou que o sonho dele era montar uma Academia de Tuba com um professor amigo, pois na Venezuela não tinha. Trocamos muitas ideias sobre as bandas filarmônicas locais, expliquei mais ou menos como era o funcionamento das bandas daqui da Bahia. O sistema é similar. O papo foi bom, mas confesso que preferia a aula de instrumento.


O rapaz aparece cego por falha minha ao ajustar o flash antes de entregar a um menino antes da foto


Após a nossa extraordinária experiência, chegou a hora de voltar pra casa. Todos estávamos muitos cansados, alguns aproveitaram pra farrear nas últimas noites. Meu pé estava muito inchado e preferi ficar no quarto dos outros jogando conversa fora. A retrato do nosso querido Adalberto ao lado, após a última visita ao Núcleo de Montalbán, sintetiza bem o cansaço de toda a orquestra. Como a gente falava lá, estavamos na mierda. E após incríveis sessões engraçadas, desde um jantar absurdo na madrugada até gente pregando peça  nos outros com sangue do diabo, começou o estresse. Bem, pelo menos pro grupo que viajou por último, que pra minha sorte, eu estava incluso.

Nosso belo dia de 48 horas começa cedo, tomamos café rápido e nos aprontamos. Muitos gente queria gastar o resto dos Bolívares que a gente tinha com acessórios musicais, lembranças, etc. Depois do almoço (pra variar, no shopping que a gente sempre comia), seguimos pra uma fatídica tarde lá na Sede, onde ficamos lá até o final da tarde. Ao lado, um músico desconhecido do Projeto encontra-se em estado de extremo cansaço. Vocês não têm noção. E o melhor estava por vir...
Finalmente...! Chega a hora de retornar à terrinha, atravessamos as montanhas em direção ao aeroporto. Lá, mais espera e mal atendimento por parte dos nossos queridos vizinhos venezoelanos. Pegamos o voo por volta da meia noite, após não sei quantas horas lá no aeroporto. Eu pude sentir cada músculo do meu corpo fatigado. Viajamos sobre a Amazônia durante a madrugada, dormi durante todo o trajeto, apenas acordando para comer. De repente, os raios de sol da manhã me acordam. Foi uma das visões mais bonitas que já tive. Estava tão espantado que não deu tempo de armar a câmera. Aterrisamos em Guarulhos, naquele friozinho que já tinhamos sentido meses antes. E lá começa o pesadelo. Após um atraso lá por parte de Caracas, perdemos nossa conexão. Agora, só restava cruzar a Cidade de São Paulo até o aeroporto de Congonhas, onde pegaríamos o outro voo muitas horas depois. Pode ter certeza que rolou muito estresse nesse meio tempo. Pelo menos a cia aérea nos ofereceu um banquete no almoço, nos empanturramos até vomitar. Foi a melhor refeição da viagem.


Aproveitando pra olhar as fotos da viagem, enquanto aguardamos horas em Congonhas


Após o rango, partimos pro avião, com uma escala no Rio, e chegamos em Salvador no final da tarde. Sem tomar banho desde a manhã em Caracas. E ainda deu tempo de eu assistir o Video Games Live lá no TCA. Haha!

Bem, esse foi meu curto relato do nosso intercâmbio com El Sistema. Vocês podem checar mais imagens no meu flickr ou no Picasa. Hoje estou 95% recuperado e caminho normalmente. Em breve, quem sabe, postarei relatos das viagens anteriores.

: )

2 comentários:

  1. Kívia vai se achar importante ^^

    Tambem quero fotos nas postagens... cmofass//

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