terça-feira, 2 de março de 2010

Festival de Música de Santa Catarina

Turma das tubas do FEMUSC 2010: de mal-encarados só a cara

No mês de janeiro, Jaraguá do Sul-SC foi lar meu e do NEOJIBA por cerca de três semanas. Dentre festas, concertos, masterclasses e resenhas marcantes, que mais poderia ter de acontecido de melhor?

O cenário
Jaraguá do Sul é uma pequena e pacata cidade localizada no nordeste de Santa Catarina, próximo ao Paraná. Localizada num vale entre as montanhas da região, lembrava muito algum lugar. No mês de janeiro, pelo menos, era caracterizada pelas chuvas, pelo céu quase sempre carregado de nuvens e pelo mormaço. O dias em Jaraguá eram mais ou menos assim: manhã, um frio desgraçado e quase sempre acompanhado de chuva; tarde, calor infernal, com casos de chuva rápida; noite, um tanto quente, com raras chuvas. O legal de lá é que, como a cidade fica num vale, não existe vento. Ou pelo menos, com eu dizia por lá, só ventava quando um ônibus passava rápido o suficiente na rua para deslocar uma certa quantia de ar. Mas apesar do clima confuso para baiano, a cidade possui paisagens naturais muito bonitas, além de ser muito bem organizada e limpa. Era espantoso não ver lixo na rua, e não se via muito gente dormindo nas ruas. Alíás, ver gente por lá era meio que raridade, principalmente nos fins de semana onde o comércio é escasso. Nos dias de semana, o comércio fechava religiosamente às 18h, no meio do dia. Sim, como a cidade está localizada abaixo do Trópico de Capricórnio, está mais a oeste e também por causa do horário de verão, o sol ainda brilhava lá nesse horário. Pelo menos por detrás das nuvens.
Mais um pôr-do-sol dramático em Jaraguá, por volta das 20h

Outra coisa espantosa para mim foi a simpatia e educação do povo lá. Depois disso, comecei a achar que a Bahia é classificada erroneamente como Terra da Felicidade. O pessoal do Festival era muito bem atendido nas lojas, supermercados e farmácias. A educação deles era bastante notável no trânsito. Apesar de alguns andarem sempre em alta, os sinais eram respeitados sempre (mesmo de madrugada) e era meio estranho atravessar a rua sem correr. Aqui em Salvador, você atravessa na faixa numa rua sem sinaleira e se vem um carro na hora, você põe a sua vida em risco. Mas dentro e fora das pistas, o povo era muito educado no geral... salvo alguns casos de malandragem que eu presenciei. O primeiro caso foi quando voltei com o pessoal do quarto para o alojomento. Um maluco apareceu alegando que queria dinheiro para fazer outra chave da sua moto que estava parada num posto próximo. O segundo foi quando eu fui no mesmo posto, uns dias depois, por volta das 22h atrás de comida. Um maluco queria me vender um par de sapatos que ele tinha achado. O terceiro foi quando eu voltava para o alojamento. Um maluco sem camisa, alegando que tinha sido assaltado, queria meu telefone emprestado. Me deixe, vu. O quarto e último, e também o que me deixou mais puto, é descobrir que quando você liga para um táxi e perceber que ele já vem cobrando a corrida. Não interessa de onde ele venha, até da montanha mais alta de Jaraguá, ele virá cobrando. Azar o seu.

O FEMUSC
O Festival de Música de Santa Catarina é dito como o maior festival de música de verão do Brasil. Que legal. Basicamente, tive atividades todos os dias das 9h30 às 18h. Por sorte, todas as minhas atividades foram num prédio logo ao lado do SCAR, o CEJAS - Centro Empresarial de Jaraguá do Sul. Tudo no mesmo auditório, desde as masterclasses pelas manhãs e os ensaios com orquestra/banda pela tarde. Ainda bem, ficar andando com a tuba pra cima e pra baixo é barril. Nos intervalos destas atividades, pela manhã nós tínhamos o tão disputado pão com queijo e presunto e café; no almoço, era mistureba de comida brasileira com comida típica do sul; no jantar, a maioria dos dias era hambúrguer e/ou cachorro-quente com batata frita palha. Mas muitas vezes o jantar era algo reciclado das refeições anteriores, uma atitude verde que eu aprovei - mas infelizmente meu paladar não. Para acompanhar, tinha o saboroso ki-suco (também conhecido como bomba ou mancha-pulmão por lá) nas cores roxa, abóbora e amarelo-sujo.
Tínhamos também a opção de transporte pela manhã e pela noite, através do inesquecível Femuscão. Quem não estava afim de dar aquela paletada do alojamento até o SCAR, acordava cedo e esperava o horário do buzu passar. Eu não, fazia questão de acordar mais tarde (além de não pegar fila no banheiro) e dava minha caminhada matinal, era tempo suficiente pra que eu acordasse o corpo pra não dormir na aula.



Primeira semana
Saio cedo de casa, chego no aeroporto junto com o primeiro de três grupos que iriam viajar. Seguimos de Salvador até Curitiba, onde de lá seguiríamos pela terra cerca de três horas até Jaraguá do Sul. O primeiro baque que tivemos foi quando descobrimos que teríamos de pagar o nosso almoço. Que barril. Chegamos em Jaraguá no meio da tarde, onde nos acomodamos no CEFET de lá, um dos alojamentos do FEMUSC. A disputa pelos colchões foi dura, mas por sorte consegui pegar um menos encardido. Visitamos o Parque Malwee, onde foi o lugar de nossas refeições nos dias posteriores. Mas um tempo depois, pra sorte de uns e azar de outros, nossas refeições passaram a ser no refeitório do SCAR.
No meio desta semana, ensaiamos no SCAR para a "turnê" que tentamos fazer para divulgar o festival. Infelizmente, só conseguimos tocar em Jaraguá e em São Bento do Sul, cidade montanhosa próxima. Ambos os concertos foram necessários para dar aquela aquecida. E precisava mesmo, São Bento é bem fria e lembra bastante Campos do Jordão. No nosso primeiro sábado, o pessoal se reúne aos poucos no tão frequentado London Pub, o point do FEMUSC. Aliás, foi até lá que comemorei meu aniversário. Ou melhor, comemoram por mim. De fato!

Segunda semana
Os graves estão concentrados
Domingão! Mais um dia de concerto em Jaraguá, mas desta vez, nada mais nada menos do que concerto de abertura do FEMUSC. Tocamos o concerto, não foi um dos meus preferidos mais saiu. No outro dia, o primeiro dia de atividades, os professores fizeram questão de elogiar a orquestra pelo bom desempenho. Se eles dizem, então groovou. A partir dessa semana, me vi dividido em dois, pois além de me dedicar ao festival, estava ocupado com uma outra coisa...

Terceira semana
Vixe... todo mundo barriado. Como sempre, no final das grandes viagens, todo mundo com cara de cansado e de mau humor. Tentei me manter firme. Com a minha nova ocupação, fui para um hotel mais próximo do SCAR onde eu teria um pouco mais de privacidade para trabalhar. Mas do nada, no meio desta última semana, tivemos um concerto lá na cidade de Rio do Sul, numa catedral, onde seria prometido ser doado um corne inglês no valor estimado de R$ 18.000. Certo...
Chega então o dia do concerto dos metais e percussão. Tivemos dois grupos de tubas: o masculino e o feminino. Feminino?? Bem, foi legal, o público adorou. Eu não tenho muito o que comentar. Talvez vocês devessem checar este vídeo:



Os ensaios da mega-orquestra começam, esta que se apresentara no encerramento do festival. Era um saco. Não lembro de ter ido pra mais que um, que foi no primeiro dia. Que por acaso, eu caí fora mais cedo. Até que chega o tão esperao dia desse concerto com a Mega Orquestra, onde todos (pelo menos grande parte) dos participantes do FEMUSC tocavam juntos. Foi legal, baguncei tanto... tubista quando se junta, só sai bagaceira! Ainda no finalzinho, rolou a festa de despedida. Tive que sair mais cedo, como das outras vezes que fui na London Pub para voltar a trabalhar no meu notebook...

E então, o primeiro grupo sai de manhã cedo, pela madrugada ainda, rumo a Curitiba para pegar o voo de volta pra casa. Tudo ok, tudo lindo, chegamos no horário (embora com atraso no embarque). Chegamos só a tempo de nos organizar. O comecinho de fevereiro só estava pra começar...

Não se esqueçam de conferir o álbum da viagem!

; )

Um comentário:

  1. Esqueceste de falar o que aconteceu com seu instrumento ^^
    Um alerta a todos os músicos que precisam do avião de carga pra transportar o instrumento ;)

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