sábado, 6 de março de 2010

Uma história curta sobre multifônicos - um novo interesse numa técnica antiga



Muitos músicos hoje se interessam na habilidade de tocar multifônicos. Os compositores parecem estar mais interessados nesta habilidade,  porque muitos outros estão escrevendo multifônicos nas peças mais do que nunca. Esta técnica é normalmente vista como uma técnica moderna, mas na verdade tem uma história muito longa.


O que são multifônicos?
O termo “multifônicos” é contestado frequentemente, mas na maioria das vezes, refere-se a tocar duas ou mais alturas ao mesmo tempo num instrumento que se espera tocar apenas uma nota. Existem algumas maneiras diferentes para criar esse efeito. Um dos mais comuns é o de cantar enquanto se toca um instrumento. Este é o método utilizado pelos instrumentistas de metais para criar multifônicos.

Do Oriente para o Ocidente

Digeridoos - primeiros instrumentos a realizar multifônicos

O conceito sobre os  multifônicos é, na realidade, muito antigo. Foi pioneiro no didgeridoo (ou didjeridu), um instrumento aborígene do norte da Austrália. O didgeridoo, dito ter entre dois a quatro mil anos, é um instrumento de palheta e não é de fato um antecessor dos instrumentos de metais ocidentais que conhecemos hoje. Possui uma história inteiramente independente e só agora se juntou à música ocidental.

Impressionando o público
Bem antes do didgeridoo se tornar popular no Ocidente, o primeiro caso de multifônicos na música ocidental aconteceu em meados do século XIV. Os músicos impressionavam o público com multifônicos durante uma cadenza. Na época, era referido como “sons duplos” ou “notas duplas” e eram sobretudo divulgados pelo trompista Eugene Vivier e o trombonista Herr Schrade.

História moderna
Quando o didgeridoo se tornou popular na esfera da música ocidental, há algumas décadas atrás, a cultura ocidental tornou-se mais curiosa em relação aos multifônicos. Com isto, mais compositores começaram a ganhar mais interesse também. Tocar multifônicos não era mais um meio de impressionar o público no meio das cadenzas.

Os multifônicos chamaram mais a atenção dos compositores nos anos 60, quando começaram a experimentá-lo em suas peças junto com vários instrumentos. A tendência de utilizar multifônicos eventualmente chegou na comunidade dos metais sobretudo no final dos anos 70.

Cantar enquanto toca é mais fácil nos metais graves, por isso é utilizado na maioria das vezes no bombardino, trombone e tuba. Um dos primeiros exemplos de uma obra para bombardino que contem multifônicos é o “Concert Variations”, de Jan Bach, escrito em 1977. A “Sequenza V” para trombone, de Luciano Berio, também tornou-se uma peça famosa que inclui multifônicos. “Fnugg” para tuba, de Øystein Baadsvik, é um dos exemplos recentes mais famosos de multifôncos no repertório de tuba.

Tocar multifônicos na música moderna está cada vez mais comum hoje e com tantas peças escritas contendo esta habilidade, se tornará ainda mais comum no futuro.



Traduzido/adaptado deste artigo, por Amy Schumaker.

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